Guarda Municipal terá equipe fixa na UBS Estação dos Ventos até rompimento do contrato com a construtora e população desocupa a obra

Gabriel Marques

Guarda Municipal terá equipe fixa na UBS Estação dos Ventos até rompimento do contrato com a construtora e população desocupa a obra
*atualizada às 16h10min, de 28/06/22

Cerca de 30 pessoas ocupavam, desde a tarde de segunda-feira, a Unidade Básica de Saúde (UBS) Estação dos Ventos, no Bairro Presidente João Goulart. A obra está parada desde novembro de 2021, quando a previsão de entrega era em maio do mesmo ano. A empresa K.A.J. Materiais de Construção, de Taquara, era a responsável pela empreitada. Na tarde desta terça, após acordo com a Secretaria, a população se retirou do local. A Guarda Municipal vai tomar conta da obra, até que o contrato com a K.A.J. seja rompido.

Conforme o presidente da Associação de Moradores do Loteamento Estação dos Ventos, Tito Rodrigues, na segunda-feira estava marcada uma reunião com o Conselho Municipal de Saúde e com a prefeitura, na obra. Como nenhum representante do Executivo pôde comparecer, a população decidiu permanecer para proteger o local, uma vez que as janelas estavam sendo furtadas ao longo das últimas semanas.– Desde que a obra parou e empreiteira foi embora, a UBS ficou abandonada. Não houve nenhuma providência e as aberturas foram furtadas. Então, tomamos a decisão de pressionar a prefeitura pela entrega da obra, que é grandiosa no tamanho e na necessidade da comunidade – explica Tito.

Foto: Marcelo Oliveira (Diário)

A UBS, segundo o presidente da associação, poderia abranger as comunidades da Estação dos Ventos, Bilibio, Favarin, Rossato, Vila Schirmer e Km3, que juntas chegariam a quase 5 mil pessoas. Atualmente, o loteamento recebe atendimentos via Unidade Móvel de Saúde, com dois atendimentos por mês, sendo apenas oito fichas disponibilizadas por dia. Outra alternativa para os moradores é ir na UBS Waldir Mozzaquatro, também no Bairro Presidente João Goulart, porém mais distante. Esta unidade é destinada a moradores de outra regiões, assim poucas fichas ficam disponíveis.– Precisamos deste posto de saúde. Eu tenho problemas de saúde e não posso me locomover, mas as pessoas saem de madrugada para ir nos outros postos sem a certeza de que vão conseguir fichas de atendimento – diz a aposentada Jurema Rodrigues da Silva, de 52 anos.

Desde que foi ocupado, a população do loteamento fica no local, e alguns deles permaneceram durante a madrugada de segunda para terça-feira. Para aguentar o frio, uma fogueira foi feita para aquecer os moradores. Expostos ao tempo, eles mantinham o fogo acesso ainda pela manhã de terça.

Dentro da construção, alguns restos de materiais estavam espalhados, como latas de tintas e caixas abertas de piso em cerâmica. Do lado de fora, restavam areia e brita.

Foto: Marcelo Oliveira (Diário)

De acordo com o superintendente da Guarda Municipal de Santa Maria, Santo Cordeiro, desde 5 de junho são feitas rondas no local, e na segunda-feira a uma equipe passou a ficar fixa no local. Segundo ele, estaria sendo analisada a possibilidade refletores e de câmeras de monitoramento do Centro Integrado de Segurança Pública de Santa Maria (Ciosp) serem instaladas na UBS.

Em reunião na tarde desta terça-feira, com a secretária adjunta de saúde, Ana Paula Seerig, foi acertado que a Guarda Municipal permanecerá no local até que a prefeitura rompa o contrato com a K.A.J. Depois, poderá ser contratada uma guarnição para cuidar da obra.– Por conta disso decidimos por nos recolher. Mesmo com a guarda, vamos seguir fiscalizando, e se algo sumir, vamos nos posicionar – comenta o presidente da associação de moradores.

O QUE DIZ A PREFEITURA

Em nota, o Executivo municipal se manifestou e disse que “trabalha no fechamento dos cálculos da obra para o encerramento do contrato e posterior rescisão contratual”, e que não foi chegado a um acordo ao pedido de reequilíbrio financeiro solicitado pela K.A.J. Ainda segundo a nota, a prefeitura deve abrir um novo processo licitatório, mas ainda sem data divulgada.

Quanto à segurança, a manifestação diz que a empresa retirou os materiais do canteiro de obras sem notificar a prefeitura, deixando o local exposto, sendo alvo de furtos: “cabe destacar que a Guarda Municipal realiza rondas diárias no local, e a Secretaria de Saúde verifica a possibilidade de contratação de vigilância 24 horas para o local, para que fatos como esse não voltem a se repetir”, encerra a nota.

RELEMBRE A OBRA

Quando foi anunciada – 1º de outubro de 2020, com previsão de oito meses para a obra ser concluídaSituação atual – Obra parada em 22 de novembro de 2021Futuro da obra – Não há previsão de conclusãoValor da obra – R$ 1,54 milhão. Valor já concedido em aditivo – R$ 153,5 mil (acréscimo) e R$ 20,1 mil (redução)Valor já executado – R$ 731.241,88Quanto já está feita – 43,54%O que diz a prefeitura – A obra continua paralisada, em negociação quanto ao reequilíbrio econômico-financeiro. O município não descarta a possibilidade de rescisão contratualO que diz a empresa –  Diferente do que diz o Executivo municipal, a K.A.J. estima que a obra estaria mais de 60% concluída. Com a informação extraoficial de que o contrato seria rescindido, no dia 4 de junho, a empresa recolheu os materiais de construção que permaneciam no canteiro de obras

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